sexta-feira, 26 de julho de 2024

ATOS DOS APÓSTOLOS (5:26-39)

O Confronto com o Sinédrio e a Coragem dos Apóstolos

26 ¶ Nisto, indo o capitão e os guardas, os trouxeram sem violência, porque temiam ser apedrejados pelo povo.

Já vimos aqui algumas referências de que o povo era simpático a essa nova igreja. O problema era a inveja desses líderes que instigavam o povo contra nosso Senhor Jesus. Se não houvesse oposição, se não houvesse quem de forma violenta trabalhasse contra o evangelho de Deus, certamente hoje já teríamos o mundo todo evangelizado (ou será que não?). O povo aceitava o que Pedro dizia; eles não apenas falavam, mas provavam através de sinais. Deus dava testemunho de que tudo o que diziam era verdade, mas temiam o que poderia acontecer com eles por causa dessas autoridades que não apoiavam esse novo ensino (Atos 5:12-14).

27  Trouxeram-nos, apresentando-os ao Sinédrio. E o sumo sacerdote interrogou-os, 28  dizendo: Expressamente vos ordenamos que não ensinásseis nesse nome; contudo, enchestes Jerusalém de vossa doutrina; e quereis lançar sobre nós o sangue desse homem.

Esse era o problema deles: o nome de Jesus. Eles não estavam pregando "Deus", não estavam falando do Deus que todos conheciam e que, de certa forma, equivocadamente ou não, temiam. O Deus de Isaque, Jacó, Abraão e Moisés era conhecido de todos; era o Deus deles. Mas o problema é que estavam pregando o nome de Jesus.

Todos aceitam, até mesmo os ateus, ouvir e até falar o nome de Deus: "Ah, meu Deus", "Graças a Deus", diz um ateu que encontrou o que procurava ou que está espantado com alguma coisa. "Deus te abençoe", diz a moça do supermercado. "Deus te abençoe", dizem nossos parentes. Mas experimente dizer para essas pessoas: "Jesus esteja com você..." (Atos 4:17-18).

 29  Então, Pedro e os demais apóstolos afirmaram: Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens.

Então, eles estavam sendo disciplinados a obedecer às autoridades religiosas, mas um anjo claramente lhes deu ordens diferentes dessas que estavam recebendo (Atos 5:19-20).

Nem sempre nossas autoridades religiosas terão razão. Se isso não fosse verdade, as mesmas autoridades religiosas que pregam o mesmo Cristo concordariam em tudo, mas não é isso que vemos. Basta ouvir líderes religiosos de diferentes denominações, ou até mesmo da mesma denominação, para perceber que podem estar transmitindo ideias diferentes. "Ah, mas podemos interpretar de várias formas a palavra de Deus". Errado. A mensagem que o autor escreve tem um objetivo; foi escrita em uma cultura, em uma determinada época e direcionada a um grupo de pessoas, ou a uma só pessoa, ou a todas as pessoas. Ela tem um propósito, e não podemos criar alegorias sobre o texto para satisfazer nossas ideias.

Se duas pessoas pensam diferente sobre determinado verso, ou uma das duas está equivocada ou as duas estão, mas nunca as duas poderão ter razão. E como podemos nos blindar de pessoas persuasivas que podem nos influenciar negativamente? Lendo e estudando a Bíblia. Assim como os bereanos, podemos medir tudo o que ela diz para saber se está de acordo com a palavra de Deus ou não (Atos 17:11).

30  O Deus de nossos pais ressuscitou a Jesus, a quem vós matastes, pendurando-o num madeiro.

Essa é uma acusação gravíssima, e eles não poupavam nem mesmo as mais altas autoridades religiosas, responsabilizando essas mesmas autoridades pela morte de Jesus (Atos 5:28-30).

 31  Deus, porém, com a sua destra, o exaltou a Príncipe e Salvador, a fim de conceder a Israel o arrependimento e a remissão de pecados.

Com sua destra, ou seja, com sua máxima autoridade e poder, com a mais alta honra, Deus o fez príncipe e Salvador. Outras versões traduzem que "Deus o colocou à sua destra", mas a maioria delas fala desta forma, dando ênfase a como Deus deu importância e honra ao exaltar Jesus a príncipe e salvador do mundo (Atos 5:31).

É importante observar aqui que, se ele foi exaltado, significa que estava em uma posição inferior anteriormente, mas isso não significa que havia algo ou alguém superior a ele antes, apenas que foi exaltado de um posto que ocupava anteriormente. Difícil pensar que Cristo era de certa forma inferior ao que é agora, certo? Tudo foi criado por ele, por meio dele e para ele. Como pode alguém ser exaltado ainda mais? Como pode alguém ter ainda mais poder e glória do que isso? Lembrem que Deus é soberano a tudo isso, e por mais que Jesus tenha sido e possa ainda ser mais "promovido", jamais terá poder igual ou superior a Deus.

Lembre-se, em outras palavras, Jesus foi o instrumento usado para criar tudo, e tudo foi criado para Ele:

"pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele" (Colossenses 1:16).

E vejam como não perderam tempo e pregaram novamente sobre o arrependimento para a remissão dos pecados. Fato: temos que nos arrepender para ter o perdão. Fato: é o próprio Deus quem concede isso, para que ninguém se glorie; a glória é toda DELE (Efésios 2:8-9).

32  Ora, nós somos testemunhas destes fatos, e bem assim o Espírito Santo, que Deus outorgou aos que lhe obedecem.

Eles são testemunhas, assim como o Espírito Santo, que é dado a quem obedece (Atos 5:32). Mas o Espírito Santo não é dado aos que creem? Sim, mas crer é um mandamento, e obedecendo a esse mandamento — crer em Jesus — é que recebemos o Espírito Santo de Deus.

Lembram? Crer, se arrepender e ser batizado: essa é a ordem. Você obedece a Deus crendo. Ao crer, você se arrepende de seus pecados. Arrependido, você é convertido e não anda na mesma direção que andava antes. Arrependido, você recebe o batismo, tarefa realizada pelo Santo Espírito de Deus, que é enviado ao seu coração (Atos 2:38).

33  Eles, porém, ouvindo, se enfureceram e queriam matá-los.

Falar para essas pessoas que Cristo foi exaltado e é maior que todos os patriarcas, profetas e até mesmo Moisés não era confortável para aqueles que pregavam a lei baseada nesses homens. Eles estavam cientes de que essa nova doutrina, se prosperasse, iria tornar obsoleta a deles (Hebreus 3:3-6).

34  Mas, levantando-se no Sinédrio um fariseu, chamado Gamaliel, mestre da lei, acatado por todo o povo, mandou retirar os homens, por um pouco, 35  e lhes disse: Israelitas, atentai bem no que ides fazer a estes homens.

Um mestre da lei venerado, respeitado por todo o povo, se levantou e aconselhou a todos para tomarem cuidado com o julgamento que fariam dos apóstolos (Atos 5:34). Gamaliel é frequentemente lembrado por sua sabedoria e moderação. Além desse episódio, ele é também citado por Paulo, que menciona Gamaliel como seu mestre em sua formação. Todo o conhecimento que Paulo tinha da lei se deve, em grande parte, ao ensino do mestre Gamaliel (Atos 22:3). Contudo, não há registro de que Gamaliel se tornou cristão. Pode até ter acontecido, mas não há fatos bíblicos que comprovem isso. Ele continuou a ser fariseu, e um de seus discípulos, o apóstolo Paulo, movido por sua religião, perseguia, prendia e levava os cristãos à morte (Atos 8:3; Atos 9:1-2). Entendermos isso será importante para a explanação posterior logo abaixo.

36  Porque, antes destes dias, se levantou Teudas, insinuando ser ele alguma coisa, ao qual se agregaram cerca de quatrocentos homens; mas ele foi morto, e todos quantos lhe prestavam obediência se dispersaram e deram em nada. 37  Depois desse, levantou-se Judas, o galileu, nos dias do recenseamento, e levou muitos consigo; também este pereceu, e todos quantos lhe obedeciam foram dispersos. 38  Agora, vos digo: dai de mão a estes homens, deixai-os; porque, se este conselho ou esta obra vem de homens, perecerá; 39  mas, se é de Deus, não podereis destruí-los, para que não sejais, porventura, achados lutando contra Deus. E concordaram com ele.

Então, Gamaliel procurou embasar seu argumento de cautela contra esses homens relembrando o que aconteceu alguns dias atrás com um certo Teudas, que se achava alguma coisa. Ele conseguiu agregar 400 homens à sua crença, mas quando foi morto, todos os que prestavam obediência se dispersaram e não deu em nada. Ele citou ainda outro homem, um certo Judas, e quando ele também morreu, todos os que o seguiam abandonaram a sua crença (Atos 5:36-37).

Então ele argumenta: “Dai de mão a estes homens” (Atos 5:38), ou seja, uma expressão usada para dizer que não se deve preocupar com esses homens, como se fosse um deboche, crente de que aconteceria com eles o mesmo que aconteceu com os outros dois citados acima. Porém, ele conclui que, se a obra que anunciam não vem de homens, mas de Deus, a intervenção deles não seria apenas contra ideias humanas, mas estariam lutando contra o próprio Deus (Atos 5:39).

Vejo muitos mestres hoje ensinando a sermos moderados e prudentes como Gamaliel. Isso é importante, mas não devemos passar por cima de conselhos e recomendações que fazem parte da doutrina do evangelho para adotar o que Gamaliel, um fariseu, disse.

Paulo e os apóstolos foram perseguidos e mortos por divulgarem o evangelho, por serem polêmicos, por denunciarem falsos ensinos e falsos mestres (2 Coríntios 11:13-15; Gálatas 1:6-9). Não devemos ignorar todo o sacrifício que esses homens fizeram e adotar equivocadamente o conselho de Gamaliel, deixando que falsos mestres e falsos ensinos sejam introduzidos nas igrejas com o argumento de que “poderemos estar lutando contra o próprio Deus”.

Sejamos sensatos. Gamaliel foi sábio, e esse conselho foi muito útil para poupar os homens que queriam lutar contra o que os apóstolos ensinavam, impedindo-os de lutar contra o próprio Deus. Contudo, esse conselho não serve para os crentes que sabem e conhecem as Escrituras e conseguem identificar heresias e doutrinas demoníacas ensinadas por falsos profetas, falsos mestres, falsos apóstolos (2 Pedro 2:1; 1 João 4:1). Essas heresias devem ser enfrentadas e combatidas. A igreja não pode permitir um outro evangelho diferente do que foi anunciado sob muito derramamento de sangue (Gálatas 1:8-9). Quem prega o conselho de Gamaliel dessa forma, de deixar tudo e qualquer um falar o que quiser sobre o evangelho (2 Timóteo 4:3-4), na verdade está querendo se blindar de ataques do verdadeiro evangelho sobre ele mesmo.

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